Mais um texto escrito porcamente, meio sem vontade, quase sem sentido.
O sol escaldante da capital não colabora.
Vida afora vão surgindo ao passar do tempo e ao decorrer do caminho, andarilhos letrados, perdas, poucos amigos, vendedores ambulantes de livros, bardos maconheiros de pracinha e arlequins com a fantasia em farrapos batendo nas janelas dos carros.
Passou o carnaval, a carne continua a ser servida ainda bem crua, bem batida pelos tambores do samba, cada vez mais barata e com muito esteróide, para se devorar e comemorar a indigestão no 8 de março e comprar rosas para as donas de casa de cabelos engordurados.
O mais tem feito parte de mim além de um desgosto imenso por tudo que passa aos olhos dos outros como mera paisagem. Meu tédio continua o mesmo, mas o amargo da boca não sai nem com beijo de namorado.
Vou encarnar o pai dos Karamázov, vou bater na cara dessa gente sem luva de pelica, que essa gente está com os miolos cozidos pelo sol da savana enraivecida.
Na madrugada de quinta-feira surtei e, com uma obra de arte moderna entalhada no braço esquerdo fui passear no pronto-socorro onde uma CARDIOLOGISTA sorridente me aplicou diazepan na veia - não consegui dormir.
Volto para casa de manhã, caio na cama semim-morta, sem lapejo algum de um sonho qualquer que visitasse os confins de meu cérebro a fim de jogar fora um pouco do lixo decadente guardado no meu inconsciente. Sexta-feira de merda, nem para conseguir pegar em um livro...
Sábado à noite, piscina cheia de jovens alegres e bronzeados, escutando “música” de trio elétrico do carnaval baiano (puta que os pariu) a pedido das visitas das amigas da irmã do dono da festa, o Zé, um amigo meu, metaleiro rabiscado de tatuagem que entrou na onda pra pegar uma das moçoilas adeptas do uso indiscriminado de abadás ( roupa típica dos rituais primitivos de acasalamento dos carnavais brasilienses).
Ainda me convidam pra essa merda? Bom, era a casa do Zé, fazer o que... pelo menos ele cozinha muito bem.
Tomei uns quatro copos cheios de mojitos bem calibrados de run , fiquei obviamente embriagada e, mais tardar, de dentro de um banheiro de motel, sentada na beira da privada, mandei uma mensagem ridícula às tantas da manhã para o celular do Andarilho. Sem resposta nem comentários na semana seguinte, prefiro pensar que mensagem nem foi recebida...
Já o domingo, um pouco mais tranqüilo, teve sua noite abafada regada a gin com tônica, muito recomendável pelo preço acessível e pelo fato da bebida feita à base de cereais e Zimbro, criada nos Países Baixos no século XVII, primeiramente, com o propósito de apaziguar os males da peste negra.
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interessante, bem escrito como sempre.
ResponderExcluirlegal a veia meio(ele dispensa a tônica...)-bukowksy