sábado, 28 de fevereiro de 2009
Strawberry Fields Forever - Musical "Across The Universe"
A narrativa entrecortada e irregular do musical se trata basicamentede um grupo de jovens que navegam em um mundo de psicodelismo em meio a protestos, todos com nomes alusivos às músicas do Beatles. A diretora Julie Taymor usa músicas dos Beatles para conduzir "Across the universe" ( veja o trailer no You Tube ), um musical jovem ambientado na América dos anos 60.
Jude (Jim Sturgess) trabalhador das docas de Liverpool vai para a América atrás do pai, um soldado americano que engravidou a mãe durante a guerra e sumiu. Ele o encontra como zelador na universidade de Princeton, Nova Jersey, onde também conhece o estudante revoltadinho Max (Joe Anderson), com quem vai para Nova York batalhar a vida, e a irmã dele Lucy (Evan Rachel Wood) por quem se apaixona quando ela também vai para a Big Apple. Sucedem-se protestos estudantis contra a guerra do Vietnam ao som de "Helter skelter", a convocação de Max para o Exército ao som de "I want you" com um cartaz do Tio Sam ganhando vida e apontado para ele e um grupo de jovens carregando a estátua da liberdade numa desolada paisagem vietnamita.
Não sou fã de musicais, são poucos os que que realmente gosto (Hair, The wall, Tommy e Moulin Rouge, estão entre os favoritos). Mas como adoro os Beatles e tenho uma gosto artístico meio "lisérgico", arrisco a dizer que "Across The Universe" é razoavelmente bom e vale a pena conferir.
Ousado, porque os fãs dos Beatles pegam em armas diante de qualquer profanação da obra do Fab Four, fato que lhe rendeu críticas más e revoltadas.
O elenco canta as músicas em interpretações não muito inspiradoras, com exceção de Dana Fuchs, uma cantora de pegada ao melhor estilo Janis Joplin, muito convincente.
O musical conta com a participação de Bono, do o humorista Eddie Izzard interpretando o papel de Mr. Kite e de Joe Cocker que aparece cantando "Come together" e encarnando três personagens ao longo da canção.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Hit the road, Jack!
Vou pegar o trem para outra cidade, como diziam os velhos bluesmen. Fujo de não sei o que; fujo de todos e de tudo. Tenho que correr, tenho que me entregar a minha grande fraqueza. Parece que não posso mais amar as pessoas que amo... me sinto oco e vazio, incapaz de muita coisa a não ser sentar e esperar a existência passar devagarzinho, arrastando-se de miséria em miséria.
Não sei dizer adeus. Não consigo deixar para trás as pessoas que amo. Acredito que o amor e a amizade não se perdem com a distância física, mas sim com o desleixo emocional. Sinto que logo perderei as pessoas que mais me encantam... pois elas já me abandonaram antes mesmo d’eu partir.
Mesmo assim, amo todos vocês motherfuckers que já me fizeram rir e aproveitar a vida do jeito mais bêbado, porco e sincero possível!
LOVE,
Kréudionôrius
ps:
the road goes ever on and on,
down from the door where it began.
now far ahead the Road has gone,
and I must follow, if i can,
Pursuing it with weary feet,
Until it joins some larger way
Where many paths and errands meet,
and whither then? i cannot say.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
Em homenagem à droga do carnaval
Prometo que vou parar de postar besteiras no blog e voltar a escrever algo que pelo menos lhes valham algumas risadas, talvez isso faça com que o Sordili colabore mais com ele (ou não).
Ah, nosso pobre blog vadio e bossal!
Mas, percam 3 minutos de suas vidas com esse incrível dominó de cervejas e confiram o que a ociosidade é capaz de engedrar na mente humana.
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
sábado, 21 de fevereiro de 2009
Matrix Rodando Em Windows (Legendado)
O jeito é virar repórter mesmo...
Sempre muito pessimista,
Peace and weeds, Dude.
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Peso de Papel
O sonho dourado de grande parte das pessoas que conheço é conseguir um emprego público. Pensam em abraçar a vida mítica do serviço governamental. Querem passar em um concurso e ganhar tubos de dinheiro para viver o resto da existência na bonança inconseqüente coçando as partes intimas. Bom, eu trabalho no serviço público e sempre achei muito vazia toda essa visão.
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Ontem, fui convocado para participar de uma reunião na Presidência da República. Ocorreria no quarto andar do Palácio do Planalto, a mais alta das torres de marfim da institucionalidade brasileira. Estava lá, ombro a ombro com o Poder, acompanhado de diversos Ministros de Estado, destes que vivem na TV falando besteira e achando que convencem alguém. Era minha chance de influenciar as decisões nacionais.
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Pessoalmente, os motivos que me conduziram ao serviço público foram os melhores possíveis. Desde que me lembro de prestar atenção nas coisas políticas, noto a inexistência de um projeto de nação para o Brasil. Parece que ainda não descobrimos à que viemos. Identificava, também, uma escassez na estrutura estatal de trabalhadores engajados. Parecia que todos estavam ali para tirar proveito próprio. Acreditava que meu propósito era buscar o bem comum. Tinha a visão de que poderia fazer a diferença, exercer meu papel na construção de um novo país. Queria resgatar nossa grandeza latente. Tenho essa mania quixotesca de acreditar no potencial das pessoas. Mal sabia eu o quão profundamente estava errado.
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Em essência, a reunião era uma mesa de negociação sindical entre atores do setor sucro-alcooleiro. Para variar, tratava-se de uma briga entre patrões e empregados. Por um momento, me senti novamente em pleno século XX. Presenciava um duelo de metodologias, o bom e velho embate entre o comunitarismo sindicalizado versus capitalismo patronal que comandou toda nossa história recente.
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A sala segregou-se espontaneamente em duas alas de nítido recorte socioeconômico. A diferença estava na cor e estado geral dos dentes e vestimentas. De um lado os patrões, brancos, ricos e bem vestidos; representavam as usinas de São Paulo e Nordeste. Do outro os canavieiros, a mestiçagem deslavada que tinha no evento uma oportunidade de desforra histórica.
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Não havia diálogo algum entre os participantes. Ocorriam somente intimidações veladas. Enquanto uns empunhavam a ameaça de greve diante do desemprego, outros mencionavam a nova máquina colheitadora que substituiria sei lá quantos trabalhadores manuais. Eram representantes de um Brasil retrogrado e anacrônico. Uma realidade antiga onde grupos oligárquicos de interesse disputavam a ferro e lábia seus desígnios particulares. Fazem parte de um país segregado, povoado por animosidades e ressentimentos.
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Reinava a desconfiança. Encaravam-se de testa franzida e mandíbula cerrada. Os dois grupos faziam questão de se odiar. De tão acostumados, parecem não saber mais agir de outra forma. Atuavam os personagens esperados. Como se este roteiro fizesse parte de sua memória celular de classe. Conflito social, Ato 1. Personagens? Os usineiros, antigos senhores de engenho, vilões notórios de nossa literatura moderna. Os trabalhadores da cana, heróis-povo, eternos mitos das belles lettres. Alguém mais? Sim, o Senhor Ministro Chefe Impávido Colosso; e eu.
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Era uma cena risível. Pareciam crianças de maternal disputando um doce na frente da professora. Precisavam convencer não uns aos outros de que tinham razão, mas sim o Ministro. – Ô Ministro, então, eu disse pra ele que o sindicato tinha exagerado. (...) – Peraí Ministro, os trabalhadores só queriam seus direitos. A professora Maricotinha precisava referendar os argumentos. Estavam todos confortáveis em seus papéis. As crianças briguentas e o Ministro, juiz supremo, divindade onipotente. Representava o Deus-Estado, o Poder, capaz de resolver todos as questões com um simples rabisco de caneta.
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Ninguém assumia a responsabilidade por suas ações. Chafurdavam em um poço de picuinha. Tinham um problema prático em pauta que se recusavam a resolver. Queriam abraçar o mundo, devorar todas suas possibilidades. O trágico é que no final todo ônus recaia sobre o governo. As demandas seriam sustentadas com dinheiro público, fruto de nosso trabalho subtraído pela máquina Leviatã. – Precisa de treinamento? – O sindicato não quer fazer? – Os patrões estão sofrendo com a crise? – Tudo bem, o Governo paga. Faziam a opção pelo retrocesso. Naquela sala éramos todos atores de uma peça datada.
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Terminado o encontro, noto uma plaquinha dependurada na porta. Dizia: “O assunto desta reunião é sigiloso”. Sigiloso estava escrito em negrito vermelho bem forte. Sentado em resignação rebelde, respirando o ar rarefeito do Poder no cume político do país, tenho um breve momento de epifania. Penso como tudo o que esta placa representa é diametralmente contrario ao que acredito e desejo para minha vida e meu país. Precisamos divulgar, não esconder. Tenho vontade de arrancar do pescoço a forca-gravata, chutar a janela e bradar Independência.
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Esta reunião foi possivelmente o evento mais inútil que participei em toda minha breve carreira de servidão pública. O ponto baixo de uma longa série de decepções.
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Fora ao Palácio do Planalto para representar meu chefe. O e-mail de convocação estava claro: “Tendo em vista a impossibilidade de o Secretário participar deste compromisso, ele solicita que o servidor Andarilho vá representando a repartição. Na verdade nesta reunião não haverá fala por parte da repartição. É apenas para se fazer presente e anotar o que for falado.” Traduzindo em miúdos significa, mete um terno, senta lá, cala a boca e tome notas.
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Mas teve algo ainda pior, no mesmo horário do evento, acontecia uma reunião de planejamento estratégico da minha repartição. Eles iam decidir o futuro de nosso trabalho. Dessas discussões só participam os notáveis, os amigos e puxa-sacos mais importantes da chefia, o que se chama aqui em Brasília de Petit Comitê. Obviamente, acabei “incluído fora” dessa.
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Aparentemente não tenho nada a acrescentar à repartição. Minha contribuição reduz-se a meu corpo. Devo ocupar um espaço físico determinado. Basta carregar meus olhos, dentes e sangue e sentar a bunda em uma cadeira. Minha função é a mesma de um objeto de escritório. A briga entre os canavieiros e usineiros era em defesa da força de trabalho. Nem isso tenho. Não deixa de ser cômico o fato de meu melhor emprego até hoje, de longe proporcionar o trabalho mais alienado. Sou um mero peso de papel.
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Descobri amargamente que não há vida no serviço público. Trata-se de um ambiente estéril onde toda criatividade é aniquilada, todo oxigênio poluído. Não acredito que por um breve momento ali, eu realmente me seduzi pelo charme do governo.
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Sempre tive vontade de trabalhar no Itamaraty, achava a vida de diplomata muito atraente. Fui criado para ser cidadão do mundo e uma embaixada parecia ser o lugar ideal para exercer meu lado cosmopolita. Estudei quatro anos como um condenado e nunca passei. No entanto, devo muito ao Instituto Rio Branco, muito do conhecimento que possuo hoje, devo ao período de estudos diplomáticos.
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Com o tempo, comecei a ficar cansado do Mito de Sisífo que é a vida de concurseiro. Resolvi testar minha sorte em outras paragens. Em 2006, meio que por acidente, descobri um concurso exatamente na minha área de formação. Tinha ainda a possibilidade de participar de um esforço de construção de um novo paradigma para o país. Era perfeito demais para ser verdade. Prestei e fui aprovado. É onde trabalho atualmente.
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Às vezes penso que este trampo atual foi uma espécie de prêmio kármico de consolação por não ter passado no Itamaraty. Só não sabia a quantidade de karma negativo que encontraria pelo caminho...
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Criatividade e problemas mentais
http://www.crp-01.org.br/conteudo/noticias/exibir.asp?codigo=113
Mas sua fonte é a Folha on line
Cientistas encontram possível ligação entre criatividade e loucura
Pessoas criativas são muitas vezes tomadas por loucas e isso, talvez, tenha algum fundamento científico. Pesquisadores da Universidade Harvard e da Universidade do Texas, nos EUA, descobriram um elemento comum à criatividade e a desequilíbrios mentais: a maior predisposição a estímulos externos.
Segundo os cientistas, que publicaram seu estudo na edição de setembro da revista "Journal of Personality and Social Psychology", pessoas criativas estão mais receptivas a estímulos externos que as outras. Em doenças como esquizofrenia, essa mesma característica se apresenta em seus estágios iniciais de desenvolvimento.Nos animais e nos seres humanos, existe um mecanismo inconsciente chamado de "inibição latente". Essa faculdade permite ignorar estímulos externos que a vivência desses indivíduos tenha demonstrado serem inúteis ou irrelevantes a suas necessidades.
Por testes psicológicos, os pesquisadores conseguiram demonstrar que as pessoas criativas têm baixos níveis de inibição latente."Isso significa que indivíduos criativos continuam em contato com a informação extra que chega constantemente do meio em que eles estão", diz um dos co-autores do estudo, Jordan Peterson, da Universidade do Texas."Uma pessoa comum classifica um objeto e o esquece, mesmo que esse objeto seja muito mais complexo e interessante do que ela possa perceber. A pessoa criativa, por outro lado, está sempre atenta às novas possibilidades."
Na pesquisa, os cientistas testaram a inibição latente de estudantes da graduação da Universidade Harvard, todos abaixo dos 21 anos e considerados extremamente inteligentes. Os que foram considerados mais criativos eram sete vezes mais sujeitos a apresentar baixos níveis de inibição latente. A baixa inibição latente, associada à criatividade, também está presente em perturbações mentais, como a esquizofrenia, que a apresenta em seus estágios iniciais de desenvolvimento, acompanhada de grande instrospecção, conhecimento místico e experiências religiosas em razão de alterações químicas no cérebro."Os cientistas estudam há muito tempo por que a loucura e a criatividade parecem ligadas.
Parece que níveis baixos de inibição latente e flexibilidade excepcional do pensamento podem predispor a doenças mentais sob algumas condições e a conquistas de criatividade sob outras", afirma Shelley Carson, autora do estudo e palestrante de psicologia da Universidade Harvard."Estamos muito felizes com os resultados desses estudos. Parece que não descobrimos apenas uma das bases da criatividade, mas também nos aproximamos da solução de um antigo mistério: a relação entre a genialidade, a loucura e as portas da percepção", afirma Peterson.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
psicodelia alcoólica
Essa igreja universal aqui na minha janela, com esse mármore todo, parece um grande pedaço de merda divina, excretada diretamente do Grande Ânus no Céu. Acho vomitar naquele estacionamento especialmente gratificante. Realmente parece que estou espalhando a psicodelia anarquista, pelo menos pras famílias crentes, que, de olhos arregalados perante a cena, passam fingindo que nada vêem. Condizente com sua fé, talvez.
